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segunda-feira, 28 de abril de 2014
Bem baratinho
Dá-se preferência a primeiro ministro, ministros, deputados. Enfim, a qualquer titular de cargo político.
Preço especial para elementos da troika.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Naquela rua todos eram honestos
Naquela rua daquela cidade, todas
as pessoas eram honestas.
Uns conseguiam ser mais que
outros, por isso, havia um morador que passava os dias atormentado por não
conseguir pagar a conta da mercearia.
Gaspar, era o nome desse senhor,
estava desesperado, já tinha proibido a família de ir à mercearia comprar o
supérfluo e gastar o que não tinha.
Família ingrata que não acatava as decisões
do pai.
Um dia estava a descer
paulatinamente a rua, quando alguém lhe toca no ombro. Era o Durão, um antigo
vizinho que há alguns anos emigrou quando também tinha passado por alguns
apertos. Foi uma tarde de conversa e do renascer da esperança para o Gaspar.
Gaspar tinha tomado uma decisão.
Tal como o seu antigo vizinho Durão, ia emigrar e esperar que a mesma sorte o acompanha-se.
Informou a família e foi-se.
Mas com a ida do pai, outros
problemas surgiram e os dias sossegados daquela rua definitivamente acabaram.
Gaspar tinha uma filha muito
vistosa que os rapazes daquela rua sempre que podiam deitavam o olho. Por isso,
raras vezes o pai Gaspar a deixava sair de casa, mas agora sem o progenitor, a
Maria Luís abandonou essa forçada clausura e embriagada pela liberdade passeava
exuberantemente pela rua.
Rapidamente passou a ser o centro
de todas as atenções por parte de certos rapazes. Havia um, especialmente
um, que ficou hipnotizado por ela. Era o Pedro, mas poucos o tratavam pelo
primeiro nome, na rua era conhecido por Coelho.
Com os olhos só postos na Maria
Luís, o Coelho rapidamente afastou-se dos seus amigos. No início os
amigos pensavam que seria um deslumbramento temporário, próprio da imaturidade
da idade, ou da novidade, mas não.
Um dia, o ardina da rua, o José
Seguro, viu que o Coelho estava a trotear uma ária à Maria Luís. Viu aí uma
oportunidade de se vingar do Coelho, por causa dumas desavenças antigas.
Pousou
os jornais que ainda tinha para vender e foi logo a correr contar o que viu, e
o que não viu ao Paulo. O Paulo (a quem tinham posto o apelido de Portas por
causa de uma porta de vidro que não viu e partiu) era uns dos amigos do
Coelho, mais um dos que tinham sido posto de parte.
O Paulo ficou na dúvida se valia
a pena ir, mas como era o Pedro a cantar uma ária, resolveu ir.
Quando lá chegou, ainda ouviu por
alguns instantes a ária, mas de imediato expressou o desagrado pela má
interpretação do Pedro.
Escusado será dizer que a discussão
foi imediata e bastante azeda. Foi uma discussão nunca foi vista naquela rua. Inclusive
tiveram de chamar a GNR.
Rapidamente lá chegou o cabo Aníbal,
homem já com muita experiência, pronto a acabar com a zaragata.
O resto da história não o posso
contar, nem quero.
Do local onde estava não
conseguia ver o que se passou a seguir e quem me contou o que se passou, que me
perdoem, mas é um aldrabão de todo o tamanho.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
V. Gaspar é E.M.T.C.
Já a alguns anos que haviam uns velhos do Restelo, certamente com
problemas nas suas placas dentárias, que se queixavam que esta
empresa não estava no rumo certo e haviam graves e grandes problemas com os produtos produzidos.
Eram produtos sem qualidade, outros produzidos em massa sem que tivessem o desejado escoamento, outros ainda, que alguém apelidou de produtos tóxicos.
É claro que os gestores desta empresa ignoraram sistematicamente estes alertas e, cada vez mais lançavam para o mercado produtos para o consumo em massa.
Até que um dia, algo mudou. Não foram os consumidores, infelizmente só foram os gestores. E assim começou aquilo que alguns, poucos, os mais optimistas/ingénuos, chamaram de a época da limpeza dentária.
Os primeiros passos deste novo grande gestor foram de reformular a empresa. Chamou a si, aqueles que pensava serem os melhores para desempenhar estar herculeana tarefa.
Um deles era o V. Gaspar.
Se para o analfabeto do consumidor era uma figura desconhecida, no meio empresarial já o mesmo não acontecia. V. Gaspar era conhecido, e como era conhecido.
V. Gaspar passou a ser o E.M.T.C., que quer dizer Experimenter Master Test Chicla.
Este elevadíssimo grau académico só é conferido aos melhores educandos que frequentaram a ilustríssima universidade TROIKA.
Por ele passavam agora, todas as decisões sobre lançamento de novos produtos que a empresa iria produzir e também sobre a viabilidade/restruturação dos já existentes.
Uma das primeiras decisões foi a eliminação das chiclas de saber a golden share. De seguida efectuou testes sobre o tamanho da chicla TSU, se deveria ser mais reduzida ou manter o tamanho actual (ainda decorrem estes testes).
Recentemente, por achar que existiam um conjunto muito alargado de chiclas com o sabor muito parecido entre elas, realizou uma alargada série de teste em catorze chiclas. Chegou à conclusão que haviam duas, que deveriam ser retiradas do mercado. Pois eram praticamente iguais às outras doze, só mudava nome e o papel de embrulho, mais parecia serem uma espécie de série especial.
Disse o V. Gaspar para quem o quis ouvir "Não podemos continuar assim com o negócio das chiclas e pensar que não temos problemas dentários."
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
A conferência de imprensa do sr. Alberto João
Logo de manhã, bem cedo, o sr. Alberto João convocou os jornalistas das ilhas, do continente, do jumbo para uma conferência de imprensa.
Algo de muito grave e importante deveria querer dizer, pois desta vez, a conferência era para ser no seu gabinete e não no Jardim, como habitualmente.
À hora marcada lá estavam os jornalistas. Aguardou mais três minutos, pois viu que ainda cabiam mais alguns jornalistas no seu gabinete.
Começou a conferência de imprensa em que falou de muitos números. Enquanto falava, ia reparando que os jornalistas estavam sempre a olhar para um canto do seu gabinete e falavam entre eles algo que não conseguia ouvir.
Vendo o desinteresse por aquilo que dizia, parou de falar dos milhões de números que tinha para relatar e resolveu elucidar os jornalistas sobre o canto do seu gabinete, com a esperança de retomar, rapidamente, o relato dos seus milhões de números.
Disse ele:
- Vejo que os senhores jornalistas olham com muita atenção para aquele canto do meu gabinete. Vou-lhes satisfazer a vossa curiosidade e dizer que ali, aquele canto tem um buraco na madeira. Mas não se preocupem, pois é um buraco pequeno e vou já mandar tapar. É tão pequeno que por ali nem passa um coelho.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
O problema das portas de uma casa
Apressadamente o sr. Portas abriu a porta para o sr. Coelho passar.
Mas não foi suficientemente lesto a fecha-la e com uma rabanada de vento escapuliu-se 50% do subsídio de Natal.
Infelizmente as portas desta casa já eram conhecidas por estes incidentes.
Ainda este ano houveram muitas portas que tiveram de ser cortadas em 10%, pois eram muito altas, mediam mais de 1500 euros, perdão, milímetros.
E no ano passado que o dono da casa teve que aumentar às portas!!!
Andei a averiguar, e parece que eram feitas de um material chamado IVA.
Pesquisei na internet e cheguei à conclusão que esse tal material chamado IVA, foi inventado ou descoberto(ainda não percebi muito bem) na Europa. Em Portugal começou-se a utilizar desde Janeiro de 1986.
Há umas portadas grandes de tamanho 20 que tiveram de ser acrescentadas para 21, mas não foi o suficiente - parece que o vento ainda era muito e levava tudo - e aumentaram para 23.
Haviam também umas portas mais pequenas, de tamanho 5 e 12. Foram aumentadas em mais um tamanho cada uma. (ouvi recentemente alguém dizer, que as portas de tamanho intermédio, as de 13, vão ser substituídas pelas portadas de tamanho 23.
No outro dia, estava a passar da sala para a biblioteca, ouvi o dono da casa falar com a empresa que presta assistência técnica às portas, não fixei o nome da empresa, mas era algo no género de toika, não, era TROIKA!! É isso mesmo, era TROIKA o nome da empresa, agora me lembro.
Estavam os senhores dessa empresa a dizer ao dono da casa que tinha de diminuir ao tamanho das portas TSU.
Como podem ver, esta casa tem muitos problemas com as portas.
Nem imagino o que se passará com o saneamento, mas nessa mer.. não me meto eu.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A porta
Pouco passava das 8h 30 da noite e estava na sala a ver televisão.
O programa não era interessante, era um suposto engenheiro supostamente intitulado de primeiro-ministro a falar, a falar, a falar, a palrar, a palrar, quando de repente acordo sobressaltado com o toque da campainha da porta.
Pergunto quem é, respondem-me com um sotaque estrangeiro algo que não entendi. Disseram FMI mais qualquer coisa que não percebi. Pensei eu, malditos romenos sempre a pedir, só sabem andar a pedir e a viver às custas dos outros.
Não dou nada seus parasitas, gritei.
Não ouvi mais nenhum barulho. Já foram, pensei, mas mesmo assim espreitei pelo binóculo da porta.
Não vi ninguém, só vi uma coisa pousada no chão que me parecia ser um saco.
Timidamente abri a porta. Era mesmo um saco, um grande saco. Olhei para ver se estava alguém, ninguém. Aproximei-me cuidadosamente do saco e abri-o.
Estava cheio de moedas de um cêntimo. Incrédulo, tornei a olhar para o corredor, continuava sozinho. Tornei a olhar para as moedas. Certamente que estava ali muito dinheiro, milhares de euros, não, muitíssimo mais, milhões, não, muito muito mais. Oitenta, sim, deviam ser oitenta mil milhões de euros.
Peguei no saco com muito cuidado para não o rasgar com o peso e levei-o para a sala.
A televisão ligada agora estava a dar anúncios, qualquer coisa de crédito, Cetelem ou coisa parecida. Desliguei-a, quem precisa de dinheiro?!.
Sentei-me e comecei a contar, um cêntimo, dois cêntimos, três cêntimos, quatro cêntimos, cinco cêntimos..., contei, contei e contei. Já ia no setenta e nove mil, novecentos e noventa e nove milhões, novecentos e noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove euros e noventa e nove cêntimos, quando de repente... acordo.
Ainda com os olhos meio fechados, percebo que não tenho saco nenhum na sala, desligo a televisão e fui-me deitar, mas passei primeiro pela porta, não fosse lá estar algo. . .
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